Agapórnis são aves interativas, dóceis e de beleza encantadora. Nesse artigo, vamos apresentar essa espécie aos iniciantes e criadores que querem saber mais detalhes desse queridinho. Criar agapórnis é sensacional.

O que são os Agapornis?
O gênero Agapornis, conhecido popularmente lá fora como lovebirds ou “periquitos-do-amor”, compreende pequenas aves da família Psittaculidae. São psitacídeos de porte reduzido, muito ativos e com forte tendência social. Seu nome deriva do grego agape (amor) e ornis (ave), refletindo o comportamento de intenso vínculo entre pares.
Em termos de popularidade, são considerados um dos psitacídeos mais criados no mundo, ao lado de calopsitas e periquitos-australianos. Tornaram-se comuns em avicultura graças ao temperamento relativamente adaptável, à variedade de mutações de cor e à reprodução bem-sucedida em cativeiro.
Na criação, são uma das principais categorias presentes nos grandes campeonatos, como o Campeonato Brasileiro da FOB. Muitas mutações e combinações atraem apaixonados pelas competições.
Espécies do gênero e distribuição
Atualmente, reconhecem-se nove espécies de Agapornis, nativas do continente africano, com exceção de uma que ocorre em Madagascar. Entre elas:
- Agapornis roseicollis (Rosy-faced/Peach-faced lovebird) — o mais comum em criação, originário da Namíbia e Angola.
- Agapornis fischeri (Fischer’s lovebird) — de regiões da Tanzânia.
- Agapornis personatus (Masked lovebird) — típico da Tanzânia setentrional.
- Agapornis nigrigenis (Black-cheeked lovebird) — distribuído em pequenas áreas da Zâmbia, considerado vulnerável na natureza.
- Agapornis pullarius (Red-headed lovebird) — encontrado em florestas úmidas da África Ocidental e Central.
- Agapornis canus (Grey-headed lovebird) — endêmico de Madagascar.
- Outras espécies menos difundidas em avicultura: A. taranta, A. swindernianus, A. lilianae.
Apesar de diferenças de distribuição e habitat (savana, bordas de florestas, áreas áridas e ilhas), todas compartilham hábitos sociais e características morfológicas semelhantes.

Fisiologia essencial
Agapornis medem entre 13 e 18 cm de comprimento, pesando em média 40 a 60 g. Possuem corpo robusto, cauda curta e bico forte, adaptado a quebrar sementes.
Sua expectativa de vida varia entre 10 e 15 anos em boas condições, mas em cativeiro com manejo adequado pode ultrapassar 20 anos.
A plumagem é predominantemente verde nas espécies selvagens, mas a seleção em cativeiro gerou dezenas de mutações de cor, como lutino, albino, aqua, turquesa, violeta, pied, entre outras.
Fisiologicamente, destacam-se por um metabolismo energético elevado, exigindo alimentação frequente e com base de calorias adequada. Estudos anatômicos em Agapornis revelam adaptações digestivas ao consumo de sementes e vegetais, além de glândulas específicas como a uropigial, que mantém a impermeabilização das penas.
Do ponto de vista reprodutivo, apresentam dimorfismo sexual pouco evidente, exceto em espécies como A. canus, em que machos e fêmeas diferem claramente na coloração.
Comportamento social e comunicação
Os Agapornis vivem em bandos na natureza, geralmente compostos por dezenas de indivíduos. No entanto, sua característica mais marcante é o forte vínculo de casal. Uma vez formado, o par permanece unido por toda a vida, compartilhando alimentação, descanso e cuidados com a plumagem.
A comunicação ocorre por vocalizações agudas e repetitivas, que variam de intensidade conforme o contexto: alarme, coesão do grupo ou cortejo. Além disso, utilizam contato físico constante, como “beijos” com o bico e encostar de cabeças, reforçando a coesão do par.
Em cativeiro, se criados sozinhos, podem formar vínculo excessivo com o tutor humano, resultando em ciúmes e comportamento agressivo contra terceiros. Já em bandos, podem ser territoriais, especialmente na época reprodutiva.

Alimentação e nutrição
A dieta natural é composta majoritariamente por sementes de gramíneas, brotos, frutas e folhas. Em cativeiro, recomenda-se oferecer uma base de extrusada junto de uma mistura de sementes específicas para psitacídeos, mas sempre complementada por outros alimentos comuns ao manejo das demais espécies.
Apenas sementes resultam em deficiências nutricionais graves, como hipovitaminose A e deficiência de cálcio. Por isso, frutas (maçã, pera, mamão, manga), verduras (couve, brócolis, espinafre, almeirão) e legumes (cenoura, abóbora, milho verde) devem ser incorporados frequentemente.
Suplementação com minerais, especialmente cálcio, é essencial em fêmeas em postura para evitar problemas como retenção de ovos, no caso de não ter a necessidade suprida na ração.
Estudos mostram que dietas balanceadas impactam diretamente a qualidade dos ovos, taxa de eclosão e desenvolvimento dos filhotes, sendo fator determinante para a produtividade reprodutiva.
Reprodução
A maturidade sexual ocorre geralmente entre 8 e 12 meses.
O ritual de cortejo inclui vocalizações, oferta de alimento pelo macho e cópulas repetidas.
A fêmea deposita entre 3 e 7 ovos por postura. A incubação dura em média 15 a 24 dias, dependendo da espécie e das condições ambientais.
O macho participa alimentando a fêmea no ninho. Após a eclosão, os filhotes permanecem no ninho por cerca de 5 a 8 semanas, sendo alimentados pelos pais até o desmame.
Nidificação
A forma como os Agapornis constroem seus ninhos é um dos comportamentos mais curiosos e estudados entre os psitacídeos de pequeno porte. Esse comportamento varia entre as espécies, mas sempre envolve criatividade e adaptações únicas.
Materiais utilizados
Na natureza, os Agapornis utilizam folhas secas, galhos finos, fibras vegetais e gramas como material de ninho. Em cativeiro, aceitam com facilidade tiras de papelão, palha, palmeira, capim seco, sisal, fibras de coco e até papel não impresso. Criadores experientes relatam que quanto maior a variedade de materiais oferecidos, mais rápido o casal inicia a construção.
Comportamento de transporte
Cada espécie apresenta um método próprio de transporte de material:
- Agapornis roseicollis (Peach-faced): transporta pedaços de folhas ou tiras de material escondidos entre as penas do dorso e da cauda. Esse hábito é tão característico que costuma surpreender iniciantes, pois a ave literalmente “se cobre” de fibras antes de voar até o ninho.
- Agapornis fischeri e personatus: carregam os materiais diretamente no bico, sem usar as penas. Esse detalhe é útil inclusive para identificar espécies em campo.
- Outras espécies, como A. pullarius e A. nigrigenis, também utilizam o bico como principal forma de transporte, variando apenas no tipo de material preferido.
Estrutura do ninho
O ninho em si é construído dentro de cavidades — em estado selvagem, geralmente buracos em árvores, frestas de rochas ou até ninhos abandonados de outros pássaros. Em cativeiro, quando fornecemos uma caixa-ninho de madeira, o casal adapta o interior, formando uma “cama” de fibras entrelaçadas.
A fêmea é a principal responsável pela construção. Ela pode trabalhar durante dias carregando materiais e rearranjando-os dentro da caixa até obter a forma desejada. O resultado é um ninho fechado, denso e relativamente profundo, onde os ovos ficam bem protegidos da luz e do frio.

Criação em cativeiro
Instalações
Agapornis podem ser mantidos em gaiolas amplas ou viveiros. Para reprodução, uma gaiola mínima de 80 cm de comprimento é recomendada para o casal, com poleiros de diferentes espessuras e brinquedos para enriquecimento. É uma espécie que precisa gastar energia e utilizar todo o enriquecimento ambiental possível.
O ninho geralmente tem formato de caixa de madeira, com dimensões próximas a 25 × 25 × 25 cm e orifício de entrada lateral.
Manejo
- Higiene: limpeza regular da gaiola e do ninho entre ninhadas para evitar ácaros e piolhos, principalmente em períodos mais quentes do ano.
- Alimentação reprodutiva: reforço proteico e mineral.
- Controle sanitário: acompanhamento veterinário periódico, quarentena de novas aves e exames para psitacose, verminoses e doenças respiratórias.
- Bem-estar: brinquedos resistentes, galhos naturais para desgaste do bico e oportunidade de voo sempre que possível.
Dicas de criadores experientes
Criadores relatam que:
- O pareamento forçado pode gerar conflitos; o ideal é permitir que as aves escolham seus parceiros em grupos maiores.
- A estimulação da reprodução pode ser feita oferecendo materiais de ninho e aumentando a oferta de alimentos frescos.
- A consanguinidade é um dos maiores problemas na criação de mutações; por isso, registros genealógicos são fundamentais.
- O controle da iluminação artificial pode simular períodos de reprodução, aumentando a taxa de posturas.
Conservação e aspectos legais
Algumas espécies, como o Black-cheeked lovebird (A. nigrigenis), encontram-se em risco devido à perda de habitat e captura ilegal.
No Brasil, todas as aves devem ter origem comprovada em criadores comerciais autorizados pelo IBAMA. Para criação recreativa, exige-se nota fiscal e anilha oficial. O tráfico de aves é crime ambiental.
Conclusão
Os Agapornis reúnem características que os tornam ideais tanto para criadores iniciantes quanto para avicultores experientes: beleza, comportamento fascinante e capacidade reprodutiva em cativeiro. No entanto, exigem manejo correto em nutrição, instalações e sanidade. Um criador responsável garante não apenas o bem-estar das aves, mas também preserva o patrimônio genético e a reputação da atividade.

Bibliografia
- Breeding biology and nest site characteristics of the Rosy-faced Lovebird (Agapornis roseicollis). Journal of Avian Biology.
- The effect of diet composition on the reproductive performance of Peach-faced Lovebirds. Avian Nutrition Science.
- BirdLife International — fichas de conservação das espécies de Agapornis.
- Wikipedia (Lovebird) — resumo taxonômico e distribuição.
- VCA Animal Hospitals — manejo de psitacídeos de pequeno porte.
- Estudos anatômicos em Agapornis personatus publicados no Brasil (Revistas de Medicina Veterinária).




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