Arquivo de ring neck - Bico Torto https://bicotorto.com/tag/ring-neck/ Uma revista virtual, com assuntos técnicos, notícias, entrevistas e demais assuntos referentes à criação e manejo de psitacídeos domésticos (Ring Neck, Calopsita, Red Rumped, etc) Wed, 19 Nov 2025 21:41:54 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 A nutrição como fator crucial para uma plumagem ótima em Psitacídeos https://bicotorto.com/a-nutricao-como-fator-determinante-para-uma-plumagem-brilhante-em-psitacideos/ https://bicotorto.com/a-nutricao-como-fator-determinante-para-uma-plumagem-brilhante-em-psitacideos/#respond Wed, 19 Nov 2025 19:59:21 +0000 https://bicotorto.com/?p=572 A plumagem dos psitacídeos é uma das estruturas biológicas mais complexas e impressionantes do reino animal. Seu brilho, sua consistência e sua vivacidade não são apenas elementos estéticos: são indicadores extremamente responsivos de saúde metabólica, qualidade de vida, bem-estar emocional e equilíbrio nutricional. Quando um psitacídeo apresenta penas opacas, quebradiças, com falhas, sem brilho ou […]

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A plumagem dos psitacídeos é uma das estruturas biológicas mais complexas e impressionantes do reino animal. Seu brilho, sua consistência e sua vivacidade não são apenas elementos estéticos: são indicadores extremamente responsivos de saúde metabólica, qualidade de vida, bem-estar emocional e equilíbrio nutricional.

Quando um psitacídeo apresenta penas opacas, quebradiças, com falhas, sem brilho ou com alteração atípica de cor, isso quase sempre aponta para processos internos que vão muito além da aparência. A pena é uma estrutura viva durante seu crescimento e registra detalhes fisiológicos que revelam exatamente como estava funcionando o organismo da ave no período de sua formação. Por isso, compreender a relação entre nutrição e plumagem não é apenas um exercício teórico — é uma ferramenta prática para avaliar e melhorar a saúde geral dessas aves.

Nesse artigo, pesquisei e trouxe até você, caro leitor, um resumo muito relevante para que entendamos como a nutrição é um fator de qualidade, também, da plumagem, item importante na prospecção de vendas, na valorização do plantel e nos campeonatos.

plumagem de ringneck

A fisiologia da pena e o impacto de cada nutriente durante o crescimento

A formação de uma pena é um processo altamente dinâmico, dependente de energia, aminoácidos e micronutrientes. Enquanto está em desenvolvimento, a pena permanece conectada a uma rede de capilares que transporta tudo o que será incorporado à sua estrutura. As células produtoras de queratina se multiplicam rapidamente e precisam de oferta contínua de metionina, cisteína, vitaminas do complexo B e minerais específicos para organizar as ligações químicas que darão resistência, flexibilidade e brilho à pena madura.

Essa dependência absoluta da corrente sanguínea explica por que a pena registra com tanta precisão qualquer interrupção nutricional. Se a ave passa fome por algumas horas, se há estresse intenso, se ocorre um déficit pontual de vitaminas ou se o fígado reduz temporariamente sua capacidade metabólica, a pena simplesmente reflete isso, criando marcas conhecidas como linhas de fome (ou linha de estresse). Essas linhas não são defeitos superficiais: são cicatrizes metabólicas que revelam períodos específicos de alteração fisiológica. O fato de permanecerem visíveis até a próxima muda reforça o quanto o corpo da ave é sensível a qualquer instabilidade nutricional.

Além do aporte proteico, outro aspecto fundamental é o papel dos pigmentos. Psitacídeos possuem pigmentos exclusivos — as psittacofulvinas — que, combinados com carotenoides e melaninas, produzem a coloração vibrante típica desses grupos. O metabolismo desses pigmentos é complexo e depende da integridade do fígado, da presença de antioxidantes circulantes e da qualidade das gorduras ingeridas. Quando algo nesse sistema falha, a cor muda. Em espécies verdes, por exemplo, é comum observar o surgimento de tons amarelados quando o fígado está sobrecarregado ou quando vitaminas essenciais estão deficientes.

pena de ave
Linhas de estresse. Zeeland (2014).

Aminoácidos sulfurados: os pilares químicos da queratina

Entre todos os nutrientes envolvidos na formação da plumagem, os aminoácidos sulfurados se destacam. A metionina e a cisteína são responsáveis pelas ligações de enxofre que dão resistência e elasticidade à queratina. Sem quantidade adequada desses aminoácidos, a pena não consegue formar sua matriz estrutural de maneira eficiente.

A metionina é um aminoácido essencial — o organismo não consegue produzi-la — e ela atua como precursor da cisteína. Isso significa que uma deficiência de metionina compromete diretamente duas vias críticas: a produção de queratina e a síntese de antioxidantes intracelulares fundamentais para a defesa celular. Essa dupla função ajuda a explicar por que aves com dietas pobres em proteína de boa qualidade apresentam plumagem fosca, fragilidade dos filamentos e tendência a fraturas de pena.

Vitaminas essenciais para o brilho, a cor e a integridade da plumagem

As vitaminas desempenham papéis fisiológicos que afetam diretamente a saúde das penas. A vitamina A, por exemplo, é crucial para a manutenção das superfícies epiteliais, incluindo os folículos das penas. Quando ela está em baixa concentração, o epitélio se torna espesso, rígido e pouco funcional, prejudicando a deposição de pigmentos e levando ao surgimento de penas opacas e sem vida. Como sementes são pobres em vitamina A, aves mantidas em dietas inadequadas frequentemente apresentam sinais de deficiência mesmo quando parecem bem alimentadas.

A vitamina E é outro elemento indispensável. Ela protege os lipídios das membranas celulares contra oxidação e impede que danos inflamatórios comprometam a estrutura em formação. Sem vitamina E suficiente, mesmo aves com boa ingestão de proteínas podem apresentar falhas na plumagem porque o dano oxidativo impede que a queratina se organize adequadamente.

A biotina, juntamente com as vitaminas do complexo B, atua diretamente na síntese de queratina e no metabolismo dos nutrientes que serão utilizados na formação da pena. Sua ausência gera problemas como descamação da pele, alterações no bico e atraso no crescimento das penas.

Minerais traço e seu papel sutil, porém decisivo, na plumagem

Embora necessários em quantidades mínimas, minerais como zinco, manganês, cobre e selênio exercem influência profunda no processo de queratinização. O zinco está envolvido na atividade de dezenas de enzimas que participam da organização da pena. O selênio tem função antioxidante essencial, protegendo tecidos em rápida proliferação celular. Já o cobre participa do metabolismo das melaninas, pigmentos que criam profundidade e contraste nas cores.

Quando esses minerais estão desequilibrados, surgem penas com aspecto áspero, deformações nas raques e até falhas que se manifestam como áreas com crescimento interrompido.

Ácidos graxos essenciais e o papel das gorduras no brilho da plumagem

Muitas vezes esquecidos, os lipídios têm papel central na hidratação da pele, na distribuição de pigmentos e na integridade da membrana celular. Ácidos graxos essenciais — especialmente os ômegas 3 e 6 — são responsáveis por manter a fluidez e elasticidade das células epiteliais. Quando há deficiência de ômega-3, é comum observar aumento de inflamação cutânea, descamação e perda de brilho.

Por outro lado, dietas com excesso de gordura — especialmente as derivadas de sementes como girassol — aumentam o risco de doença hepática gordurosa, que, por sua vez, prejudica a coloração e a qualidade da plumagem. Esse é um ponto delicado: gordura em excesso e gordura em falta prejudicam a plumagem de maneiras diferentes, mas igualmente graves.

O fígado como centro regulador da coloração e da integridade das penas

Se existe um órgão que determina a aparência externa da ave, esse órgão é o fígado. Ele armazena vitaminas lipossolúveis, metaboliza pigmentos, processa gorduras, detoxifica a corrente sanguínea e participa da síntese proteica. Pequenas alterações na função hepática podem modificar toda a expressão da plumagem.

Em Amazons, por exemplo, é comum observar penas verdes tornando-se amareladas quando o fígado entra em estado de sobrecarga. Outras espécies podem apresentar perda de brilho, mudança na distribuição do pigmento ou até aparecimento de manchas claras sem relação genética, como agapornes, ring necks.

Quando a função hepática cai, até mesmo uma dieta teoricamente perfeita pode não resultar em boa plumagem, porque o organismo simplesmente não consegue processar e utilizar os nutrientes ingeridos.

problema hepático em aves
Disponívem em: diariodeumpapagaio.com.br

Dietas práticas e o papel da ração na manutenção de uma plumagem saudável

É justamente por essas razões que as rações se tornaram o padrão-ouro da alimentação de psitacídeos. Elas corrigem, de maneira prática e padronizada, os desequilíbrios nutricionais que causam queda na qualidade da plumagem. Isso não significa que devam substituir completamente frutas e verduras — muito pelo contrário. Os melhores resultados aparecem quando extrusados são utilizados como base e alimentos frescos ricos em carotenoides complementam a dieta.

Frutas e vegetais vibrantes, como cenoura, abóbora, manga e mamão, são excelentes fontes de carotenoides que intensificam o brilho e a saturação da plumagem. Esses alimentos trabalham em sinergia com a ração, fornecendo antioxidantes e compostos bioativos que não estão presentes nas formulações comerciais.

Ambiente, umidade, banho e comportamento: componentes essenciais do brilho

Mesmo com uma dieta excelente, aves mantidas em ambientes secos apresentam desgaste acentuado da plumagem. A falta de umidade prejudica a distribuição da oleosidade natural da glândula uropigial, resultando em penas quebradiças e com aparência envelhecida. Banhos regulares — seja por borrifação ou chuveirada leve — ajudam a hidratar a pena, remover poeira, estimular o comportamento natural de preening e uniformizar o brilho.

Aves estressadas também sofrem diretamente na plumagem. O estresse desvia nutrientes para funções vitais e reduz o aporte destinado à formação das penas. Por isso, psitacídeos submetidos a rotinas instáveis, ausência de enriquecimento, excesso de ruído ou solidão podem desenvolver linhas de fome mesmo com uma dieta ideal.


Conclusão

Após analisar de forma ampla a literatura científica e observar inúmeros casos práticos, reforço minha convicção de que a nutrição é o fator mais determinante para a formação de uma plumagem brilhante, forte e saudável em psitacídeos. Sempre que encontro uma ave com plumagem apagada, meu primeiro olhar é para a dieta, seguido do estado hepático e do ambiente. A beleza externa da ave é, quase sempre, a tradução direta de processos internos que dependem de proteína de qualidade, vitaminas, minerais, gorduras equilibradas e uma rotina livre de estresse.

Quando esses elementos se alinham, a transformação é visível: penas vibrantes, brilho intenso, cor estável e uma vitalidade que só aves bem cuidadas conseguem expressar. Para mim, o estudo da plumagem é uma das formas mais precisas e fascinantes de compreender a saúde global de um psitacídeo — e a nutrição é, sem dúvida, sua base mais sólida.

Bibliografia

  • Vaidlová, Helena. Nutrition is instrumental in achieving shiny plumage. AWIPARROTS Magazine, February 2022.
  • Brightsmith, D. J. Nutritional Levels of Diets Fed to Captive Amazon Parrots. Journal of Avian Medicine and Surgery, 2012.
  • Chen, M. et al. Molecular Signaling and Nutritional Regulation in Feather Morphogenesis.
  • Van Emous, R.A. Effects of nutritional interventions on feathering of poultry — a review.
  • Ekstrand, C. Liver Disease in Parrots. Avian Veterinary Journal.
  • Alagawany, M. et al. Nutritional significance of amino acids, vitamins and minerals in avian health.
  • National Research Council (NRC). Nutrient Requirements of Poultry.
  • Harrison, G. J. Clinical Avian Medicine. Capítulos sobre nutrição e doenças hepáticas.

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Conforto térmico para psitacídeos: ciência, comportamento e manejo ambiental https://bicotorto.com/conforto-termico-em-psitacideos/ https://bicotorto.com/conforto-termico-em-psitacideos/#respond Thu, 16 Oct 2025 00:38:12 +0000 https://bicotorto.com/?p=465 Introdução Quando falamos em criação de psitacídeos, muito se discute sobre nutrição, comportamento e reprodução. Entretanto, um tema de importância central — e ainda pouco explorado na avicultura de manejo — é o conforto térmico. A temperatura e a umidade do ambiente determinam não apenas o bem-estar físico e emocional da ave, mas também sua […]

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Introdução

Quando falamos em criação de psitacídeos, muito se discute sobre nutrição, comportamento e reprodução. Entretanto, um tema de importância central — e ainda pouco explorado na avicultura de manejo — é o conforto térmico. A temperatura e a umidade do ambiente determinam não apenas o bem-estar físico e emocional da ave, mas também sua imunidade, fertilidade, comportamento social e longevidade.

Ao longo das últimas décadas, estudos em diferentes continentes têm demonstrado que, assim como qualquer outro organismo endotérmico, as aves mantêm mecanismos refinados de termorregulação — mas esses mecanismos possuem limites fisiológicos estreitos. Em cativeiro, onde o ambiente é artificial, o desafio é equilibrar calor, umidade, ventilação e radiação de forma a reproduzir o microclima natural de cada espécie.

Neste artigo, que redigi com base em literatura científica, experiências de campo e relatórios técnicos de centros de conservação, analiso o conforto térmico sob um enfoque biológico e prático, comparando dados de várias regiões do mundo, e apresento recomendações detalhadas de manejo.

Criação de ring neck

1. Fisiologia da termorregulação em psitacídeos e conforto térmico

As aves possuem temperatura corporal elevada — geralmente entre 40,0 °C e 42,5 °C e muito mais alta que a nossa — e um metabolismo rápido. Essa condição exige que o organismo mantenha mecanismos precisos de dissipação de calor.

Nos psitacídeos, a regulação térmica é realizada por uma combinação de ajustes fisiológicos e comportamentais:

  1. Fluxo sanguíneo periférico: o sangue é direcionado para regiões com poucas penas, como patas e bico, que funcionam como trocadores térmicos naturais. Estudos realizados com imagens infravermelhas em aves australianas mostraram que essas estruturas atuam como “radiadores vivos”, dissipando calor em condições quentes e retendo-o em climas frios.
  2. Evaporação respiratória: em temperaturas elevadas, as aves recorrem à respiração ofegante (panting) para aumentar a perda de calor por evaporação. Esse mecanismo, embora eficiente, aumenta o consumo de água e pode levar à desidratação se a umidade relativa for alta.
  3. Comportamento adaptativo: abrir asas, buscar sombra, alongar o corpo e evitar atividade física nas horas mais quentes são formas comportamentais de reduzir o ganho térmico.
  4. Isolamento por plumagem: em frio intenso, eriçar as penas cria uma camada de ar isolante. No entanto, se o ambiente for úmido, essa estratégia perde eficiência, aumentando o risco de hipotermia.

Esses mecanismos funcionam perfeitamente em liberdade, onde o animal pode se deslocar e ajustar-se conforme o microclima. Em cativeiro, entretanto, a ave depende inteiramente das condições que nós, criadores, proporcionamos. Por isso, compreender as faixas ideais de temperatura e umidade é essencial.


Jhonny Thorpe

2. Faixas de conforto térmico e limites fisiológicos

A zona de conforto térmico (ZCT) é o intervalo em que a ave não precisa ativar mecanismos de aquecimento nem de resfriamento para manter a temperatura corporal estável.

EspécieFaixa térmica ideal (°C)Tolerância (°C)Observações comportamentais
Calopsita (Nymphicus hollandicus)18–23,8até 35Estudo brasileiro indicou que acima de 30 °C há aumento de ofegação e batimento de asas.
Periquito-australiano (Melopsittacus undulatus)16–29até 33Alta tolerância ao calor, mas sensível a ventos frios e mudanças bruscas.
Papagaio do Congo (Psittacus erithacus)20–25até 30Prefere ambientes estáveis; mudanças súbitas afetam o comportamento vocal e alimentar.
Amazona spp. (Papagaios verdes)20–27até 33Sensíveis à umidade e correntes frias; requerem boa ventilação.
Araras (Ara spp.)21–29até 35Espécies tropicais robustas; toleram calor, desde que haja sombra e fluxo de ar.
Brotogeris spp. (periquitos-de-asa-branca, queixo-laranja)18–27até 32Ativos, adaptáveis, mas sofrem sob alta umidade.

Esses dados indicam que a maioria dos psitacídeos domésticos e de cativeiro se mantém confortável entre 18 °C e 27 °C, com limites superiores de tolerância próximos de 33 °C, dependendo da espécie, da ventilação e da umidade.

Importante: a umidade relativa ideal situa-se entre 45% e 65%. Acima disso, a perda de calor por evaporação é prejudicada; abaixo, há risco de ressecamento das vias respiratórias.


3. Interação entre temperatura, umidade e ventilação

O erro mais comum no manejo térmico é avaliar apenas a temperatura do ar. O conforto real da ave depende da interação entre temperatura, umidade e movimento do ar.

  • Alta temperatura + alta umidade = risco extremo de hipertermia.
    A evaporação torna-se ineficiente, e a ave acumula calor rapidamente.
  • Baixa temperatura + alta umidade = risco de hipotermia.
    O isolamento das penas perde eficácia quando há condensação. Ambientes frios e úmidos são especialmente perigosos para filhotes e aves em muda.
  • Ventilação cruzada suave é fundamental para remover calor e gases, sem criar correntes diretas.
    Viveiros ideais mantêm aberturas em paredes opostas, com barreiras defletoras para dispersar o fluxo de ar. O importante é que o ambiente não tenha apenas uma entrada de ar. Os ventos precisam entrar por um lado e sair por outro.
  • Radiação solar direta deve ser controlada.
    A luz solar é importante para a síntese de vitamina D, mas o metal das gaiolas pode aquecer acima de 50 °C em minutos sob sol pleno.

4. Sinais clínicos e comportamentais de desconforto térmico

O reconhecimento precoce do estresse térmico é uma das habilidades mais importantes no manejo.
Abaixo estão os principais indicadores observáveis, tanto de calor quanto de frio:

CondiçãoSinais típicosConsequências se não corrigido
Calor excessivoOfegar, abrir asas, afastar-se de fontes de luz, levantar penas da cabeça, apatia.Desidratação, acidose metabólica, parada respiratória.
Frio intensoPenas eriçadas, corpo contraído, tremores, redução da vocalização.Imunossupressão, infecções respiratórias, hipotermia.
Umidade excessivaRespiração ruidosa, penas molhadas, acúmulo de fungos no ambiente.Aspergilose, dermatites, queda de plumagem.
Baixa umidadePenas quebradiças, narinas secas, espirros frequentes.Irritação respiratória, sinusites.

Em minha experiência com manejo em uma região quente e úmida no Nordeste, percebo que os primeiros sinais — especialmente ofegação discreta — costumam surgir antes que o criador perceba o calor excessivo. O monitoramento visual diário e o uso de sensores digitais são, portanto, indispensáveis.


5. Práticas avançadas de manejo térmico em diferentes climas visando o conforto térmico

Climas tropicais (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, parte do Sudeste)

  • Sombreamento vegetal é o método mais eficaz para reduzir a temperatura radiante, quando em viveiros abertos. O destaque é para criações ao ar livre em gaiolas (prática utilizada por criadores experientes).
  • Cobertura de instalações para galpões ou criatórios de bateiras de gaiolas, porém, com vegetação arbórea ao redor. Ideal haver maneiras eficazes de trocas de calor entre a parte interna e a parte externa.
  • Sistemas de nebulização (bicos de névoa fina) podem baixar a temperatura ambiente em até 3 °C, mas devem ser acionados por curtos períodos para não elevar a umidade.
  • Uso de substratos de areia ou casca de arroz ajuda a reduzir o acúmulo de calor no solo, tanto que gaiolas suspensas quanto em viveiros.

Climas temperados e frios (parte do Sudeste e Sul)

  • Lâmpadas cerâmicas são preferíveis ao aquecimento por resistência exposta, pois produzem calor difuso, no caso de regiões de frios muito extremos, comparados com os invernos de regiões europeias.
  • O uso de isolamento térmico nas paredes (poliuretano expandido, placas de fibra vegetal) mantém a temperatura estável com menor gasto energético.
  • Aves mantidas em temperatura constante de 20–25 °C apresentaram, em estudos europeus, redução de infecções respiratórias e melhor desempenho reprodutivo.

Climas áridos (Semiárido nordestino)

  • O problema principal é o excesso de calor diurno e queda brusca noturna.
  • Recomenda-se uso de paredes térmicas e orientação leste-oeste dos recintos, evitando insolação direta nas horas mais críticas.
  • Plantas nativas e telados sombreados ajudam a simular o ambiente natural.
manejo de psitacídeos

6. Estratégias de engenharia ambiental e automação

O manejo moderno caminha para a integração tecnológica:

  • Sensores de temperatura e umidade conectados (IoT) permitem registrar variações em tempo real e ajustar o ambiente automaticamente.
  • Controladores automáticos podem acionar exaustores, nebulizadores e aquecedores conforme parâmetros predefinidos.
  • Telas fotossensíveis que se fecham ao atingir determinado nível de radiação já são empregadas em centros de conservação na Europa e já são realidade em projetos de criadores brasileiros que pretendem reformar galpões.
  • O uso de câmeras térmicas portáteis tem se mostrado uma ferramenta útil para detectar áreas frias ou quentes excessivas dentro dos recintos.

Essas soluções, embora inicialmente caras, reduzem mortalidade e melhoram significativamente o sucesso reprodutivo de colônias de psitacídeos.

manejo de ring neck

7. Lacunas de conhecimento e perspectivas de pesquisa

Apesar dos avanços, ainda há lacunas significativas:

  • Poucos estudos comparam tolerância térmica entre espécies tropicais e temperadas sob condições controladas.
  • Os estudos brasileiros com as principais espécies que criamos ainda são mínimos.
  • Carecemos de modelos termodinâmicos que integrem temperatura, umidade, radiação e comportamento em cativeiro.
  • Há escassez de dados regionais sobre microclimas em viveiros brasileiros, especialmente no Norte e Nordeste, onde a umidade e o calor são extremos.
  • A pesquisa sobre o impacto térmico na fertilidade e na expressão de mutações genéticas ainda é incipiente.

Avançar nesses pontos permitirá desenhar sistemas de manejo mais precisos e personalizados.


8. Conclusão

Depois de revisar a literatura e observar diferentes contextos de criação, entendo que o conforto térmico é um eixo vital do bem-estar animal e, portanto, da própria sustentabilidade da criação.
Não há dieta, genética ou enriquecimento ambiental que compense um ambiente termicamente inadequado.

Eu defendo que cada criador, pesquisador ou conservacionista encare o controle microclimático como prioridade, e não como um detalhe secundário.
Replicar o equilíbrio térmico natural é, ao mesmo tempo, uma exigência ética e uma estratégia técnica para prolongar a vida e a vitalidade das aves que cuidamos.


Bibliografia

  • Carvalho, T. S. G. et al. (2015). Behaviour of cockatiels (Nymphicus hollandicus) at two temperatures in captivity. Revista Brasileira de Medicina Veterinária. SciELO.
  • Merck Veterinary Manual (2024). Management of Pet Birds. Merck & Co.
  • McQueen, A. et al. (2023). Avian thermoregulation through legs and beaks: field thermal imaging analysis. Journal of Experimental Biology.
  • Coulson, B. et al. (2025). Modelling hyperthermia risk in birds under humid heat. Conservation Physiology, Oxford University Press.
  • BirdVet Melbourne (2023). Keeping your parrot warm: essential care for indoor birds.
  • Custom Precious Parrots (2023). Ideal temperature ranges for different types of parrots.
  • Loro Parque Fundación Reports (2022). Environmental management and avian welfare in psittacine breeding centers.
  • Goldstein, D. L. (2019). Avian Physiology: Adaptations for Flight and Thermoregulation. Academic Press.
  • Vélez, A. M. & Silva, J. F. (2021). Microclimates and welfare in captive tropical birds. Journal of Avian Biology.
  • Pinheiro, F. R. & Lopes, C. R. (2020). Efeitos do microclima sobre o comportamento de aves exóticas em cativeiro. Revista Brasileira de Etologia.

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Ring Neck e as projeções do mercado: como se posicionar para o futuro https://bicotorto.com/ring-neck-e-as-projecoes-do-mercado/ https://bicotorto.com/ring-neck-e-as-projecoes-do-mercado/#comments Wed, 15 Oct 2025 01:30:33 +0000 https://bicotorto.com/?p=460 Sem dúvidas, caro leitor, essa é a ave que desperta o interesse da imensa maioria dos criadores. Seja pela beleza, seja pelo faturamento, o Ring Neck é, de longe, a ave que permeia o planejamento de todo plantel. Nesse artigo, vamos falar o que muita gente quer e precisa entender sobre esse mundo. São opiniões […]

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Sem dúvidas, caro leitor, essa é a ave que desperta o interesse da imensa maioria dos criadores. Seja pela beleza, seja pelo faturamento, o Ring Neck é, de longe, a ave que permeia o planejamento de todo plantel. Nesse artigo, vamos falar o que muita gente quer e precisa entender sobre esse mundo. São opiniões com base em observações do mercado e conversas com criadores muito experientes.

Ring Neck

A criação de uma ave diferente das iguais

O Ring Neck surgiu como um dos melhores negócios do mercado de animais domésticos dos últimos anos. Sua habilidade de interagir com pessoas, pronunciar algumas palavras e ser uma ave ativa e simpática (por vezes temperamentais) o fizeram cair nas graças dos tutores. Várias aves são verdadeiras popstars nas redes sociais, chegando a entreter milhares de seguidores.

Desde a maior popularização nos últimos 10 anos, a espécie cresce cada vez mais na procura e na montagem de novos criatórios. Por isso, sempre vejo o mercado de aves de bico torto da seguinte forma: o mercado de Ring Neck e o mercado das demais.

Não há criação ou espécie atualmente que tenha melhor relação custo x benefício x liquidez que o Ring Neck. Independentemente da cor ou mutação, sempre será a ave mais fácil de se vender. Certamente, se tivéssemos mais estatísticas de vendas, teríamos ele entre as aves que menos demoram para serem negociadas após o nascimento.

Ring Neck

Mesmo não sendo tão fácil quanto parece, reproduzi-lo não é algo de outro mundo

Com uma expectativa de vida e reprodução que pode ultrapassar mais de uma década, cria-los é uma tarefa alcançável para praticamente todos que se aventuram. Obviamente, nem todos terão bons índices, mas que é algo totalmente possível não há dúvidas.

No entanto, realmente há dificuldades que não devem ser negligenciadas e vamos citar algumas:

  • Casais são temperamentais e podem brigar ao ponto de termos mortes de indivíduos;
  • A reprodução regular é vista a partir do terceiro ou quarto ano de vida;
  • Iniciar precocemente o período reprodutivo é a maior causa de problemas de comportamento de fêmeas no decorrer da vida, como comer ovos, matar filhotes, não os alimentar, abandono de ninho etc.;
  • Doenças são cada vez mais banalizadas e essa mentalidade de falar “eu tenho doença porque todo plantel tem” deve ser evitada pelos novos criadores ao iniciar a compra de aves, pois isso não é verdade. Adquira aves de criadores sérios e faça exames e quarentena sempre.

Por que são aves tão caras?

O valor médio de um ring Neck nas linhas mais comuns gira em torno de 500 a 1500 reais. Não é um valor barato quando vemos que 45 milhões de brasileiros ganham até 3 mil reais por mês. Adquirir uma ave desse preço em uma família média com 4 pessoas não é tarefa tão simples, dadas as possibilidades atuais da população. Mesmo assim, temos o mercado desse tipo de ave como o mais acessível para a maioria das pessoas, principalmente como PETs.

Por outro lado, o maior destaque e objetivo de se criar Ring Neck são as mutações. É aí que a brincadeira começa a ficar séria, quando saímos da faixa dos 2 a 5 mil reais para aves de 50, 70, 100 mil reais. E há demanda maior que oferta hoje em dia para alguns desses indivíduos raros.

O objetivo central de todo criador de Ring Neck é vender cada vez melhor, temporada após temporada.  É sair da linha do comum para as mutações. É passar do azul para o violeta, depois para os Cleartails, depois para opalinos Cleartails, esmeraldas e por aí vai. Essa busca incansável é que faz com que esse mercado tenha sempre um bom resultado, mesmo em períodos de queda na economia do país, como agora em 2025.

Ring Neck

Existe plantel ideal?

Sim! Existe!

Mas depende do momento e da condição de investimento de cada criador. E isso deve estar alinhado com o seu objetivo: não adianta querer ainda nessa década vender Opalinos Cleartail Esmeralda iniciando em 2025 com dois casais de verde e depender apenas da renda deles para esse objetivo. Sou bem realista e digo que um criador que quiser vender uma ave do exemplo acima até 2030 e começando do zero hoje tem que iniciar com aportes de pelo menos 7 dígitos. Não é pra qualquer um.

Sendo assim, há de se reforçar que o mercado de aves te devolve proporcionalmente a quanto você investe. E nada de esperar retorno antes de 3 ou 4 anos, independente de quanto custou seu plantel. Mesmo não sendo uma regra absoluta, é bem difícil recuperar investimento antes desse prazo.

O mercado milionário

Como toda atividade econômica, o mercado de Ring Neck não é perpétuo. As leis de oferta e demanda vão sempre prevalecer e as condições econômicas de cada região também podem acelerar ou atrasar esse momento.

É óbvio que não será em um ano, nem em cinco. Pelo que se vê, as temporadas são muito instáveis ano após ano. 2022 foi o ano de ovo branco, 2023 foi a muda antecipada, 2024 foi o calor, 2025 foi o frio… Atire a primeira pedra quem passou todos esses anos com índices de ovo branco menores que 5%, ou mortalidade menor que 2%, ou média de filhotes acima de 5 por postura. Essas características ajudam a alongar esse prazo, pois as variações de clima, de alimentação, aumento de doenças e falta de técnica correta estão fazendo médias de filhotes muito baixas.

É provável que as aves de mutações mais comuns, como lutinos, azuis, canelas e cinzas continuem figurando próximo de R$1000,00 por mais temporadas, mas a tendência que vejo é de queda em mais dois ou três anos até metade disso em alguns lugares. Aves como Violetas serão menos afetadas, já que são muito pedidas ainda. Devem segurar preço por bem mais tempo. Já as combinações de Cleartails, esmeraldas, dominantes, opalinos, recessivos etc. devem ficar no auge por muito mais tempo ainda. Acredito que não veremos queda na procura por várias temporadas.

Não espere um Opalino Cleartail de 10mil (em valores de hoje, desconsiderando inflação) antes de 2033 ou 35. E mesmo assim é um excelente negócio. Eu mesmo, por exemplo, se montar hoje um casal de Cleartails violetas não me importo de negociar filhotes daqui há 10 anos pelo valor de 2mil cada, pois até chegar lá, eles já me renderam mais que qualquer aplicação financeira da galáxia. Esse ponto o criador não leva em conta, mas deveria. Ao invés de pensar no pessimismo de que um dia o preço vai cair, investir agora é sempre o melhor a se fazer.

E não subestime esse mercado: novas combinações, chegada de mutações ainda raríssimas no país e busca por aves de características específicas vai aquecer essa atividade por décadas. O melhor momento para aproveitar é sempre hoje.

Ring Neck

Mas esse mercado tem fim?

Eu digo que não. E digo que tentar prever o futuro com pessimismo é bobagem.

Ao se investir em Ring Neck hoje, um criador tem que avaliar alguns pontos:

  1. Planejar: tanto instalações, quanto custos anuais. A criação é movida por temporadas, então faça seu planejamento com base em uma receita sazonal e um custo mensal fixo. Você precisa de capital de giro, de planos de faturamento “pé no chão” e de estudo;
  2. Agir: com base no estudo prévio e minucioso de suas possibilidades, monte casais assertivos e sempre se atente para compras de pessoas idôneas;
  3. Rever conceitos: a cada temporada, avaliar o que foi feito e o que pode melhorar. A criação é um processo contínuo de estudo e avaliação do resultado;
  4. Evoluir: com base nos pontos fortes e fracos avaliados até o momento, reorganizar a casa e melhorar os processos da temporada seguinte, a fim de otimizar ano após ano seu sucesso.

Ainda tão importante quanto é a necessidade de novos criadores. Para isso, o principal mercado que devemos fomentar e incentivar é o PET. Ele é a base da dinâmica de evolução de criatórios. Sempre que puder, apoie e incentive a venda de aves para tutores responsáveis, pois eles são indispensáveis e, de certa forma, as figuras mais importantes. Sem a venda de pets, o pequeno criador não cresce e a roda não gira. Comente lá embaixo o que você acha.


Conclusão

O mercado de Ring Neck é o mais versátil e mais interessante dos últimos anos. E vai permanecer atrativo por um bom tempo, apesar dos pessimistas. Porém, não é um mar calmo para todos, pois requer investimento, estudo e consciência de que as coisas não são fáceis. Investir hoje é o único meio de se chegar ao faturamento dos sonhos, mas sempre com pé no chão. Haverá muita gente querendo desmerecer esse ramo ou desmotivar o novato, mas pode acreditar que, apesar da economia em 2025 não estar favorável para o investimento mais arrojado, ainda assim vale totalmente o esforço de criar. Seja iniciando com aves mais simples, seja aportando em aves de mutações mais caras.

Ring Neck

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Comprar ring neck adulto ou filhote? https://bicotorto.com/comprar-ring-neck-adulto-ou-filhote/ https://bicotorto.com/comprar-ring-neck-adulto-ou-filhote/#respond Mon, 08 Sep 2025 14:23:12 +0000 https://bicotorto.com/?p=280 Está em dúvida entre comprar um ring neck adulto ou filhote? Entenda idade reprodutiva, montagem de plantel comercial, escolha de matrizes e criadouros confiáveis, como não ser enganado e recomendações práticas para quem vai criar ou comprar. OBS: Essa análise serve para a maioria das espécies de psitacídeos. Introdução A escolha entre comprar Ring Neck […]

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Está em dúvida entre comprar um ring neck adulto ou filhote? Entenda idade reprodutiva, montagem de plantel comercial, escolha de matrizes e criadouros confiáveis, como não ser enganado e recomendações práticas para quem vai criar ou comprar.

OBS: Essa análise serve para a maioria das espécies de psitacídeos.

comprar ring neck

Introdução

A escolha entre comprar Ring Neck adulto ou filhote depende de objetivos (animal de companhia × investimento para criação), experiência com aves e disponibilidade de tempo/recursos. Nos tópicos abaixo compilamos evidências científicas, guias de avicultura e relatos de criadores e redes sociais para orientar quem quer comprar para companhia ou montar um plantel comercial. Mas, primeiro, vamos debater sobre temas indispensáveis para a melhor escolha.

Qual a idade reprodutiva dos Ring Necks?

Idade reprodutiva e maturidade sexual dos Ring Necks

O Ring Neck (Psittacula krameri) é uma espécie de psitacídeo que passa por fases bem definidas até atingir a vida adulta. Entender essas etapas é essencial para quem deseja montar plantéis de reprodução ou simplesmente compreender o comportamento da ave de companhia.

Idade adulta x idade reprodutiva

  • Idade adulta (maturidade física): os Ring Necks de cores mais sólidas (azul, lutino, verde…) atingem o porte e plumagem definitiva entre 12 e 18 meses. É nessa fase que as penas se tornam mais estáveis e o crescimento corporal se estabiliza. Mutações como Cleartail ainda mudarão significativamente até a próxima muda de penas; os arlequins recessivos tendem a perder as manchas gradativamente também. Por isso, algumas mutações só vemos definitivas em 24 a 36 meses.
  • Idade Reprodutiva: Em geral, estudos e guias técnicos indicam que os Ring-Necks atingem a maturidade sexual por volta de 2,5–3 anos, sendo essa a faixa em que tanto machos quanto fêmeas costumam reproduzir com maior sucesso; no entanto há diferenças práticas entre os sexos: as fêmeas podem tornar-se fisiologicamente aptas um pouco mais cedo (alguns criadores relatam capacidade reprodutiva já a 1–2 anos, embora não seja o ideal reproduzir tão cedo), enquanto os machos frequentemente só exibem fertilidade reprodutiva consistente entre 2,5 e 4 anos

Dimorfismo sexual

O dimorfismo sexual é evidente nos Ring Necks, embora apenas após certa idade:

  • Machos: desenvolvem o famoso “colar” ou anel de penas negras e rosadas ao redor do pescoço, geralmente visível entre 18 e 24 meses, tornando-se mais nítido com 2 a 3 anos. Além disso, costumam ser mais vocais e exibicionistas.
  • Fêmeas: não apresentam colar visível, mantendo coloração mais uniforme. Algumas podem ter leve marcação acinzentada no pescoço, mas sem a nitidez do macho.

Comportamento de atividade sexual ativa

Durante a fase de reprodução, influenciada por fotoperíodo e ambiente, os Ring Necks apresentam mudanças claras:

  • Machos: tornam-se mais ativos vocalmente, exibem “danças” de cortejo (movimentos de cabeça, balanço e asas semi-abertas), oferecem alimento à fêmea (regurgitação) e procuram ninho.
  • Fêmeas: apresentam postura mais receptiva, permanecendo imóveis com penas ligeiramente eriçadas e cabeça abaixada quando aceitam a cópula. Também passam a inspecionar cavidades ou ninhos e podem demonstrar maior territorialidade.
Como comprar um ring neck

Mudanças hormonais

O ciclo reprodutivo é regulado pelo eixo hipotálamo–hipófise–gônadas.

  • Machos: aumento da produção de testosterona intensifica comportamento de cortejo, canto e agressividade em alguns casos.
  • Fêmeas: maior secreção de estrogênio e progesterona estimula comportamento de nidificação e postura de ovos. Há também aumento da necessidade de cálcio devido à formação da casca.
  • Influências externas: fotoperíodo (dias mais longos) e disponibilidade alimentar são estímulos ambientais decisivos para o início da temporada reprodutiva.

Como comprar Ring Neck para montar um plantel de aves para criação comercial de filhotes

Passos práticos e estruturados:

Defina objetivo e escala: hobby, pequena produção local ou criação comercial. Cada nível exige investimentos diferentes em infra, pessoal e biossegurança.

  1. Compre animais reprodutores de qualidade (preferir aves provenientes de criadouros responsáveis e conhecidos): aves de origem conhecida, historial reprodutivo e controle sanitário por meio de exames anuais, no mínimo.
  2. Instalações: gaiolas com tamanho adequado (eu recomendo acima de 1,5m) ou viveiros de chão (seria o mundo ideal, na minha opinião), áreas separadas para quarentena, reprodução e crias; ventilação adequada, fácil limpeza e espaço suficiente para o tráfego de pessoas que fazem os tratos diários.

Guias de avicultura técnica (não só de ring Neck, mas de aves em geral) recomendam área para seleção de substituição de reprodutores e crescimento de jovens afastados do lote reprodutor. Isso quer dizer que o criador pode ter um ou mais viveiros onde ele deixa separado, geralmente no primeiro ano, as aves que ficarão para plantel, para se adaptarem melhor ao trato e às pessoas que deles cuidam. Acho interessante, caso já esteja num estágio de criação avançado.

  1. Biossegurança e quarentena: quarentena mínima de 30 dias para novos animais, testes veterinários (hemoparasitas, patógenos respiratórios, exames fecais) e esquema de controle parasitário conforme orientação do médico veterinário de aves.
  2. Nutrição e manejo reprodutivo: ração balanceada, suplementação de cálcio para fêmeas em postura, estímulos fotoperiódicos e controle de temperatura/ambiente para sincronizar ciclos reprodutivos. Fontes de avicultura prática e acadêmica indicam que manejo nutricional e fotoperíodo influenciam fortemente sucesso reprodutivo.
  3. Registro e rastreabilidade: manter fichas de cada casal (idade, origem, produção de ovos/filhotes, problemas de saúde). Isso facilita decisões para seleção e evita endogamia.

Como escolher matrizes (fêmeas e machos) para reprodução

Aqui, resumidamente, vamos dar umas dicas para que o criador iniciante ou que quer evoluir na criação, deve utilizar no momento de escolher aves para seu plantel. Um criador, independente da espécie, deveria montar um checklist de tópicos importantes na hora de fazer uma escolha. Vamos falar disso:

  • Origem comprovada: prefira aves de criadouros conhecidos, com histórico reprodutivo. Evite animais de origem duvidosa (aves da feira, contrabando, anilhas suspeitas).
  • Idade reprodutiva adequada: tenha em mente seu objetivo e escolha com base no custo x benefício. Vamos falar disso ainda hoje.
  • Condição corporal e saúde: aves com plumagem íntegra, peso adequado, sem sinais respiratórios ou diarreia. Peça laudos/veterinário ou exames que, comprovadamente, são dessas aves.
  • Temperamento: observe como as aves se comportam no criadouro de origem. Mesmo que não possa ir até lá, peça vídeos mostrando as instalações, um panorama do viveiro ou gaiola em que a ave está (para você ver o estado de todas as aves do recinto), verifique a lotação dessas gaiolas, peça para o criador interagir com a ave e ver se ela é ativa ou indiferente aos estímulos.
  • Visita presencial (quando possível): visite para ver instalações, limpeza, comportamento das aves e manejo. É inegável que o ambiente limpo e saldável valoriza a ave.
  • Transparência: o criadouro deve fornecer origem das aves, histórico reprodutivo, exames e permitir contato com clientes anteriores (depoimentos).
  • Condições sanitárias e quarentena: pergunte como fazem quarentena, limpeza de viveiros e protocolos em caso de doença. Bons criadouros têm protocolos escritos.
  • Associações, registros e certificações: filiação a associações avícolas, participação em feiras e cursos é um indicativo de profissionalismo.
  • Garantia e suporte pós-venda: combinar os termos da venda – reembolso em caso de doenças preexistentes, devolução ou suporte técnico são sinais de criadouro responsável

Como não ser enganado — fraudes e golpes comuns ao comprar aves

Infelizmente, o que mais a gente ouve hoje em dia é relato de criador levando golpe. Vamos falar disso.

  • Fotos antigas/roubadas: peça vídeos ao vivo com data e um detalhe solicitado.
  • Pagamento à distância sem garantias: Evite enviar dinheiro por métodos irreversíveis a quem você não conhece.
  • Documentos falsos: exija documentação (no caso de espécies regulamentadas, certificados exigidos; confirme autenticidade com órgãos ambientais locais). Sempre peça nota fiscal e guia/autorizações legais quando aplicável.
  • Problemas de saúde escondidos: peça atestado veterinário recente e, se possível, exame de sangue/fecal. Faça quarentena após a compra.
  • Preço muito abaixo do mercado: desconfie — pode indicar aves já doentes, aves que não existem, híbridos de baixa qualidade ou problemas sanitários em geral. Alguns golpistas já mandam a ave em estágio avançado de doenças e culpam os meios de transporte (aéreo, taxis) pelo acontecido com a ave e depois dificultam o reembolso.
  • Referências: conhecer o vendedor é crucial. Ou saber que ele é de confiança, por meio da comunidade. Comprar ring neck requer cuidados
  • Evite comprar “pechinchas” nos grupos de Whatsapp: hoje, a imensa maioria de golpistas está nesse ambiente de grupos esperando a próxima vítima empolgada.
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Pós e contras de comprar filhotes ou adultos

Agora vamos falar do assunto mais importante. Vamos apresentar o porquê de escolher filhote ou adulto.

É melhor comprar filhotes?

Basicamente, comprar ring neck e adquirir filhotes é a forma mais interessante de montar uma criação com aves mais acostumadas com seu manejo. Filhotes de poucos meses (até na papa ainda) geralmente ficam mais dóceis aos tratos, às vozes e às pessoas que lidam diariamente com eles. Isso ajuda muito no manejo.

Outro ponto: você pode rastrear melhor alguma condição sanitária, pois há uma tendência (não regra) de filhotes apresentarem mais facilmente doenças, como o circovirus, ao serem separados dos pais. Caso você receba aves que foram tratadas pelos pais, elas certamente sentirão mais a diferença de ambiente, por terem sido desmamadas e, logo em seguida, levadas a outra casa, outras pessoas, outro manejo. Esse estresse pode potencializar sintomas de doenças que você achava que a ave não tinha. Se, passada a quarentena, der tudo certo nos exames e a ave continuar a demonstrar ótima qualidade de comportamento, penas brilhantes e fezes normais, praticamente é certo que está tudo bem.

No entanto, alguns pontos devem ser levados em conta nessa escolha:

  • Como a maturidade sexual é de 2 a 3 anos, pelo menos, é mais seguro planejar o retorno do investimento a partir do quarto ano. O que vier antes é ótimo, mas é melhor trabalhar com essa métrica. Por exemplo, comprando filhotes em 2025, ideal é entender que eles passarão 26 e talvez 27 sem reproduzir; em 2028 eles começam e você inicia a venda no fim de 2028 e início de 2029. Planeje-se.
  • Aves criadas na papa desde o dia 01 vs aves criadas pelos pais: é um tema contraditório, mas fala-se que aves tratadas pelos pais desde o início são melhores matrizes. Eu, particularmente, não comprovei essa questão, pois tenho aves de todos os dois tipos, inclusive um que era pet até os primeiros 6 meses, e reproduziram dentro da média de 2 a 3 anos. No entanto, fala-se também que aves de mutações mais complexas apresentam essa característica. Eu prefiro deixar esse tema para cada um dar a opinião no fim do artigo. Vai lá e fala o que você acha.

É melhor comprar adultos?

Se a ideia for comprar um ring neck adulto, o principal motivo, na minha opinião, é o retorno mais rápido do investimento. Com casais de 3 ou 4 anos, por exemplo, é possível retornar o investimento no ano seguinte sem muito esforço. No entanto, deve-se pensar nos seguintes pontos:

  • Se for ave adulta, prefira casal fechado que já reproduziu junto ou que ainda não reproduziu, mas está formado pelo menos há uma temporada. Por outro lado, como uma ave não sabe que a outra é novata também, há uma chance maior das fêmeas não se tornarem agressivas demais. Ideal seria trazer primeiro o macho e, dias ou semanas depois.
  • Conhecer o criador, saber se já reproduziram, se tem fotos deles filhotes ou com crias é um ponto importante. Cuidado, pois, infelizmente, há aves com problemas de comportamento que são vendidas como aves normais. Importante para o criador que avise antes de vender o real motivo para se desfazer da ave. E para o comprador, lembre-se que se a ave tem tantas características boas, por que o criador quer tanto vende-la?
  • Um casal adulto, obviamente é mais caro. Às vezes 200% mais caro ou mais. A exemplo: um casal azul em 2020 era em torno de 1800 a 2mil reais. Esse mesmo casal hoje (se for um bom reprodutor) não deve estar sendo vendido a menos de 4 ou 5 mil reais. Se alguém tiver hoje um casal de Cleartails violeta portando opalino (macho) e de ano 2020, certamente não venderá esse casal por menos de 100 mil reais em 2025. E tem fila querendo, se o criador ofertar no mercado. No entanto, ano que vem quem o comprar certamente já recupera o investimento.

Conclusão

A decisão entre comprar Ring Neck adulto ou filhote está diretamente ligada ao objetivo de cada criador. Filhotes oferecem a vantagem da docilidade e da adaptação precoce ao manejo, além da possibilidade de acompanhar todo o desenvolvimento da ave; contudo, exigem maior paciência, planejamento de longo prazo e atenção aos riscos sanitários iniciais.

Já os adultos podem proporcionar retorno mais rápido no investimento, especialmente quando adquiridos como casais já formados e com histórico reprodutivo, embora tragam consigo desafios de adaptação e a necessidade de maior cautela na escolha do criadouro.

No entanto, são bem mais caros. Em ambos os casos, fatores como origem idônea, exames sanitários, sexagem confiável e respeito à idade reprodutiva ideal (2,5 a 3 anos) são determinantes para o sucesso. Portanto, não existe uma escolha universalmente correta: a decisão deve considerar não apenas o custo imediato, mas também a estratégia de médio e longo prazo, o perfil do criador e o cuidado ético com as aves.

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